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Entender como ficar abstêmio

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Quer entender como ficar abstêmio ou prefere estudar eternamente a adicção? Esse artigo discute a diferença fundamental entre aplicar o conhecimento para se tornar abstêmio e cair na armadilha de estudar a adição indefinidamente sem agir. Entender como ficar abstêmio representa a jornada prática de transformar o conhecimento em uma nova forma de viver, através de escolhas diárias que constroem uma identidade livre da dependência . Por outro lado, estudar eternamente a adição , embora intelectualmente válido, pode ser uma forma de evasão que substitui a ação pela análise contínua, adiando a liberdade real . Os estudos de abstemiologia ensinam que essas alternativas, “Entender como ficar abstêmio" ou "estudar eternamente a adição" , não são opções opostas, mas fases de um ciclo integrado: estuda-se para entender, entende-se para aplicar e, ao aplicar, aprofunda-se o entendimento. O perigo está na paralisia do estudo sem fim, pois a verdadeira compreensão da adição ...

Dependência cruzada

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Dependência cruzada: conceito, modalidades e riscos A dependência cruzada é um fenômeno complexo no qual o cérebro não diferencia a substância em si, mas sim o efeito neuroquímico comum no sistema de recompensa , principalmente através da liberação de dopamina. Isso ocorre quando o uso de múltiplas drogas — como álcool e maconha ou cocaína e cigarro — cria um sistema de gratificação sinérgico , seja para potencializar o prazer, seja para compensar efeitos indesejados de outra substância. O organismo desenvolve tolerância cruzada , passando a exigir qualquer estímulo que ative as mesmas vias químicas, tornando a droga de eleição difusa.   O fenômeno se manifesta não apenas entre substâncias ilícitas e álcool , mas também em transições perigosas , como entre álcool e benzodiazepínicos , onde a tentativa de abandonar uma substância leva ao abuso de outra que atua nos mesmos receptores cerebrais (como os GABAérgicos). Além disso, a dependência cruzada pode migrar para o camp...

Deslocamento vetorial da desintoxicação

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Videoaula: Teoria do deslocamento vetorial da desintoxicação Tema avançado de abstemiologia A teoria do deslocamento vetorial da desintoxicação propõe que o tratamento para dependência química não pode ser uniforme em absolutamente toda e qualquer situação, sobretudo se compararmos 02 (duas) situações distintas: uma pessoa com longos anos de adicção (15 anos de drogadição) e outra que, após um período prolongado de sobriedade (18 anos de sobriedade), sofre uma recaída. O deslocamento vetorial da desintoxicação afirma que quem recai após uma vida abstêmia prolongada não retorna ao mesmo ponto de partida de que está saindo da adicção. Quem possui uma longa sobriedade já possui lucidez abstêmia consolidada — ou seja, já vivenciou os benefícios e o caminho da sobriedade.   Enquanto a desintoxicação para o adicto exige uma transformação biopsicossocioespiritual profunda, para quem recai após um longo período de sobriedade, é necessária uma detoxificação , focada na el...

Desvirtuamento abstêmio

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Desvirtuamento abstêmio A abstinência desvirtuada ocorre quando uma pessoa utiliza sua condição de abstêmio não para manter a sobriedade e uma vida saudável, mas como uma ferramenta para manipulação, barganha e obtenção de vantagens indevidas .   O desvirtuamento abstêmio se distingue dos desvios abstêmios . Nos desvios abstêmios a pessoa se afasta do caminho ideal, mas ainda assim busca a sobriedade. No desvirtuamento abstêmio , entretanto, a abstinência é usada como "moeda de troca" para satisfazer impulsos, muitas vezes mantendo comportamentos negativos da fase de adicção, como mentir, enganar e manipular.   Existem diversos exemplos sobre desvirtuamentos abstêmios : procrastinar reparações necessárias sob a justificativa de evitar contatos do passado, manipular a família para obter bens materiais alegando necessidade pela nova fase de vida, e usar a abstinência como argumento para obter privilégios com segundas intenções . Tais atitudes são frequentes no ...

Lucidez abstêmia: um dos royalties da abstinência

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Lucidez abstêmia: um dos royalties da abstinência É preciso lucidez para iniciar a vida abstêmia ou é preciso iniciar a vida abstêmia para ter lucidez ? Na realidade, ambas as ideias iniciais estão corretas: é preciso um lampejo de lucidez para iniciar a vida abstêmia e, por sua vez, a prática contínua da sobriedade desenvolve uma lucidez mais profunda. Durante a fase de adicção , a capacidade de discernimento diminui, mas a sobriedade tende a reverter esse cenário. A lucidez abstêmia possui 02 (dois) níveis.   O primeiro nível é um lampejo inicial, um insight concreto e pessoal sobre as consequências devastadoras do vício — como falhar como pai, comprometer a carreira ou arriscar vidas — que age como um estopim emocional, rompendo a negação e impulsionando o compromisso com a abstinência.   O segundo nível de lucidez se desenvolve ao longo da jornada abstêmia. É mais refinado e representa uma integração profunda da sobriedade na identidade da pessoa, que pass...

Diagrama da sobriedade

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Diagrama da sobriedade em relação à estabilidade abstêmia A jornada para uma vida abstêmia plena e estável é um processo profundo de transformação pessoal que vai além da simples suspensão do consumo da droga de eleição . Os estudos da abstemiologia apontam 03 (três) modelos evolutivos de sobriedade .   A sobriedade diacrônica é inicial e instável, marcada por períodos de abstinência intercalados com recaídas, refletindo uma luta interna e a persistência do padrão anterior de pensamento. A sobriedade sincrônica representa um avanço, em que a pessoa se mantém abstêmia no presente, mas com esforço constante, vulnerável a gatilhos e ameaças externas, numa condição de vigilância e custo emocional elevado.   O estado mais elevado é a sobriedade homócrona , que simboliza a maturidade máxima e perene. Nela, a abstinência torna-se uma característica intrínseca e inabalável da identidade da pessoa , constante em qualquer momento do tempo e imune às adversidades. Não há l...

Tratamento concomitante

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Tratamento concomitante: a reabilitação conjunta entre família e dependente A dependência química raramente é um fenômeno isolado, manifestando-se como um sintoma relacional profundamente enraizado no sistema familiar. O transtorno por abuso de substâncias (TUSP) torna-se o ponto focal, mas a dor e a disfunção permeiam todas as relações. A família, como contexto mais influente, desenvolve dinâmicas e papéis rígidos — como os modelos de codependentes, herói, salvador, vítima, perseguidor ou bode expiatório — que, inadvertidamente, perpetuam o ciclo da dependência .   O transtorno por uso de substâncias pode, assim, ser uma tentativa disfuncional do indivíduo de se ajustar a um sistema desequilibrado ou de expressar uma angústia que a família não consegue resolver. A codependência persiste porque suas "recompensas" imediatas — conforme ensina o paradoxo da codependência — mascaram as consequências destrutivas a longo prazo.   Diante dessa perspectiva, torna-se...