Dependência cruzada
Dependência cruzada: conceito,
modalidades e riscos
A dependência cruzada é um
fenômeno complexo no qual o cérebro não diferencia a substância em si, mas sim
o efeito neuroquímico comum no sistema de recompensa, principalmente
através da liberação de dopamina. Isso ocorre quando o uso de múltiplas
drogas — como álcool e maconha ou cocaína e cigarro — cria um sistema de
gratificação sinérgico, seja para potencializar o prazer, seja para
compensar efeitos indesejados de outra substância. O organismo desenvolve tolerância
cruzada, passando a exigir qualquer estímulo que ative as mesmas vias
químicas, tornando a droga de eleição difusa.
O fenômeno se manifesta não apenas
entre substâncias ilícitas e álcool, mas também em transições
perigosas, como entre álcool e benzodiazepínicos, onde a tentativa
de abandonar uma substância leva ao abuso de outra que atua nos mesmos
receptores cerebrais (como os GABAérgicos). Além disso, a dependência cruzada
pode migrar para o campo comportamental, por exemplo, quando a compulsão
por substâncias é transferida para atividades como jogo patológico,
compulsão alimentar, trabalho excessivo ou uso descontrolado de telas —
todas capazes de ativar circuitos dopaminérgicos similares.
A dependência cruzada é impulsionada
por mecanismos como a sinergia (essas combinações podem gerar compostos
mais tóxicos, como o cocaetileno), a compensação (uso de uma droga para
atenuar efeitos de outra) e, a já mencionada, tolerância cruzada
(adaptação a uma substância que exige doses maiores de outra da mesma classe).
Suas modalidades incluem combinações de drogas (ex.: álcool e
tabaco), dependência comportamental, interação entre substâncias e processos
(como transtornos alimentares e abuso de álcool), dependência farmacológica
cruzada (entre depressores ou opioides), dependência tecnológica cruzada
(vício em internet associado a estimulantes) e dependência de prescrição
(uso entrelaçado de medicamentos legítimos).
Para o tratamento, esse fenômeno
representa um desafio crítico, pois a tentativa de cessar uma substância
pode desencadear o aumento compensatório de outra, tornando o processo de retirada
mais complexo e arriscado. Portanto, a recuperação exige uma abordagem
integrada que simultaneamente aborde todas as dependências — químicas e
comportamentais — e promova uma mudança global no estilo de vida. O
objetivo é alcançar uma abstinência relativa ampla, já que o cérebro com
predisposição aditiva busca atalhos químicos ou comportamentais para obter
prazer, requerendo a reestabilização do sistema de recompensa sem muletas
externas.
Leia o artigo na íntegra e
entenda tudo isso com detalhes.
Dependência cruzada (CLIQUE AQUI E LEIA O ARTIGO NA ÍNTEGRA)
Bons estudos!
Escritor: Péricles Ziemmermann
