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Caminhos da abstinência: modelo subjetivo

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Caminhos da abstinência: modelo subjetivo O modelo subjetivo do caminho da abstinência propõe uma classificação evolutiva para as pessoas em sobriedade, os abstêmios. A ideia central deste modelo subjetivo reside em diferenciar as pessoas que estão em sobriedade utilizando, para tanto, certos critérios ou etapas.   A diferença entre abstêmios é enorme no que se refere ao repertório , técnicas abstemiológicas e a autonomia para manter a sobriedade no decorrer da vida.   O modelo subjetivo inspira-se no conceito de menoridade de Kant e utiliza 05 (cinco) fases distintas. Na " menoridade " estão o abstêmio mínimo (em desintoxicação) e o abstêmio menor (pessoa com até 02 ou 03 anos de sobriedade). A " maioridade " inicia com o abstêmio maior (já com um sistema ideológico positivo e técnicas consolidadas), evolui para o abstêmio maior real (pessoa que se autorreconhece como abstêmio de forma voluntária e consciente) e, por fim, o modelo subjetivo ati...

Caminhos da abstinência: modelo axiológico

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Caminhos da abstinência: modelo axiológico O modelo axiológico , conforme os estudos de abstemiologia , representa uma das 05 (cinco) formas do caminho da abstinência, as outras são: modelo subjetivo, objetivo, desviante e oblíquo. O modelo axiológico refere-se aos valores abstêmios, ou seja, a forma de pensar, sentir e agir que altera durante a vida abstêmia. Essa alteração de pensamento, reflete o sistema ideológico . É simples: pessoas no início da vida abstêmia pensam de forma diferente quando comparadas com pessoas que estão há mais tempo em sobriedade.   Nesse sentido, temos o sistema ideológico adicto ( S.I.A. negativo ), definido como o conjunto de crenças, pensamentos, sentimentos e ações que caracterizam o universo adicto e que sustentam o próprio processo de adicção . Obviamente, durante a vida abstêmia, esse sistema ideológico precisa ser transformado para dar suporte ao processo abstêmio. Assim, a pessoa no início da vida abstêmia irá neutralizar essa forma ...

Fuga geográfica: dos soldados do Vietnã ao Parque dos Ratos

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Fuga geográfica: dos soldados do Vietnã ao Parque dos Ratos   Este texto analisa a técnica da fuga geográfica como possível caminho para superar o vício. Com base em dois pilares — o retorno dos soldados americanos dependentes de heroína após a guerra do Vietnã e o experimento “Parque dos Ratos” —, entendo que a mudança de ambiente pode ser eficaz, mas apenas se for parte de uma transformação mais profunda.   Percebo que não basta mudar de lugar fisicamente; é essencial alterar todo o contexto de vida. Os soldados que voltaram do Vietnã, por exemplo, abandonaram um ambiente que incentivava o vício e retornaram a um ecossistema com suporte , propósito e ausência de gatilhos . Da mesma forma, no “ Parque dos Ratos ”, os animais em um ambiente estimulante do ponto de vista social rejeitavam a morfina, enquanto os isolados se tornavam dependentes. Isso me mostra que o vício muitas vezes está ligado à desconexão e à falta de alternativas significativas .   Por...

Princípio da não vitimização do abstêmio

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Princípio da não vitimização do abstêmio É importante informar que o indivíduo com dependência química não deve ser visto como vítima , mas sim como uma pessoa com a saúde mental fragilizada em decorrência do uso de substâncias, caracterizando-se como uma condição de doença mental, frequentemente associada a comorbidades . Da mesma forma, a pessoa em abstinência — vivendo a vida abstêmia — também não deve assumir o papel de vítima, evitando ao máximo manifestações de autopiedade.   Para os estudos de abstemiologia , rejeita-se a ideia de que a sobriedade é um processo de sofrimento. Pelo contrário, argumenta-se que o sofrimento verdadeiro ocorreu durante o período de consumo descontrolado, e que a vida abstêmia possibilita a interrupção e a redução dessas mazelas. Embora a sobriedade não resolva todos os problemas originados pela adicção ( ponto cego da abstinência ), ela é capaz de estagnar e redimir grande parte dos danos causados ao próprio indivíduo, à família e aos am...

Caminhos da abstinência: modelo desviante

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Caminhos da abstinência: modelo desviante   A análise do modelo desviante é apenas uma das cinco formas de conceitualizar o caminho da abstinência ( pathway of abstinence ). Caracteriza-se este modelo como um estado de vida abstêmia em que, apesar da cessação do consumo de drogas ou álcool, o indivíduo mantém atitudes e hábitos profundamente incoerentes com uma sobriedade continuada . Trata-se de uma mera suspensão temporária do uso , e não de uma interrupção definitiva, o que resulta numa desintoxicação igualmente provisória. O perfil do abstêmio desviante é marcado pela ausência do Passo Zero , manifestando irresponsabilidade abstêmia através da rejeição de práticas como o exemplarismo, o voluntariado e a construção de redes de apoio com pares.   Verifica-se, nestes casos, um reconhecimento do sistema ideológico adicto ( S.I.A. negativo ) sem, contudo, existir um compromisso genuíno com o seu enfrentamento, fenômeno que designo como rigidez conceitual . Embora po...

Caminhos da abstinência: modelo oblíquo

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Caminhos da abstinência: modelo oblíquo Existem vários modelos de caminho da abstinência ( pathway of abstinence ), tais como: modelo objetivo , modelo subjetivo , modelo axiológico e modelo desviante . Aqui e agora, analisarei o modelo oblíquo .   O modelo oblíquo analisa o caminho da abstinência através da escada abstêmia , porém como foco nos momentos mais peculiares da vida abstêmia e onde ocorre alguma mudança evolutiva de modo significativo capaz de representar a alteração no sistema ideológico do indivíduo. Por exemplo, o fim da desintoxicação física ( ponto “R” ); a superação de ciclos empíricos de 30, 60, 90 e 120 dias; a análise comparativa entre tempo de vida abstêmia e tempo de drogadição ( ponto “Z” ) e o autorreconhecimento consciencial da necessidade de permanecer abstêmio ( ponto “X” ). O modelo oblíquo, portanto , é um mecanismo apto para analisar essas fases, sendo composto por 05 (cinco) pontos principais.   O Ponto "F" representa o fim da ...

Escada abstemiológica: ponto “R”

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Escada abstemiológica: ponto “R”   O ponto "R" na escada abstêmia constitui um marco fundamental, representando o término da desintoxicação física e o início efetivo da jornada do abstêmio menor ( abstemenor ).   Cabe ressaltar que o início da vida abstêmia é comumente definido pelo parâmetro objetivo da interrupção ( cessação definitiva ) do consumo, e não pelo momento subjetivo da conclusão da desintoxicação .   Entre o ponto "F" , que marca o início da desintoxicação, e o ponto "R" da escada abstêmia , situa-se a fase denominada de abstêmio mínimo , uma subclassificação do próprio abstemenor .   A relevância central do ponto "R" está no fato de ele inaugurar a exigência de neutralização do sistema ideológico anterior, que sustentava o uso de substâncias, sendo este um processo crítico que se estende por um período de dois a três anos (até o ponto "R+02" ou "R+03" ). A superação bem-sucedida desta fase es...