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Mostrando postagens de junho, 2025

O que faço se meu familiar for adicto?

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O que faço se meu familiar for adicto?   Os estudos de Abstemiologia destacam que lidar com um familiar dependente requer conhecimento, paciência e estratégia . O primeiro passo é reconhecer o problema, evitando minimizá-lo ou negá-lo, pois muitas famílias justificam o comportamento do dependente, adiando a busca por ajuda e prolongando o sofrimento. A adicção é um transtorno que surge pela falta de informação . O tratamento pode ser eficaz se iniciado precocemente , embora muitas famílias demorem a agir, muitas vezes devido à " cegueira deliberada ", esperando que o problema se resolva sozinho. Quando a dependência persiste por muito tempo, o tratamento se torna mais difícil devido aos danos agravados pelo vício.   Para ajudar um familiar adicto, é essencial oferecer informações , pois esclarecimento, lucidez e autopercepção são fundamentais no tratamento. Em alguns casos, recomenda-se internação, medicação (especialmente em comorbidades), grupos terapêuticos ou ter...

Qual destas técnicas abstemiológicas é a mais importante?

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Qual destas técnicas abstemiológicas é a mais importante? A técnica do procure ou a técnica do evite? Este artigo discute a importância das técnicas abstemiológicas , especialmente a técnica do evite e do procure , essenciais na manutenção da vida abstêmia. A primeira consiste em evitar pessoas, hábitos e lugares associados ao uso de substâncias, enquanto a segunda busca aproximar o indivíduo de ambientes e comportamentos que favorecem a sobriedade .   Um exemplo prático ilustra a técnica do evite : um abstêmio com 60 (sessenta) dias de sobriedade não deve frequentar um parque onde costumava usar drogas, pois isso pode desencadear gatilhos e fissuras. A técnica visa justamente evitar situações que remetam ao passado de adicção, como certos lugares (bares, festas), pessoas ("amigos" da ativa) e hábitos (desorganização, isolamento).   Por outro lado, a técnica do procure incentiva ações positivas , como buscar apoio em grupos terapêuticos, manter responsabilidade...

Síndrome abstêmia da miragem

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Síndrome abstêmia da miragem Infelizmente, muitas pessoas confundem alguns elementos essenciais da vida abstêmia e tendem a inverter certas prioridades . Por exemplo, para iniciar a vida abstêmia a pessoa precisa de emprego digno, dinheiro, celular (bens materiais), família, amigos e relacionamentos protetivos, né? Errado . Para iniciar o processo de abstinência a pessoa precisa interromper (cessação definitiva) o consumo e drogas/álcool.   Os frutos (resultados ou consequências) obtidos através da vida abstêmia não se confundem com as causas (motivos ou fundamentos) da abstinência. Enquanto os frutos podem ser família funcional, emprego digno, relacionamentos afetivos saudáveis e outras conquistas materiais, a causa da abstinência é a interrupção (cessação definitiva) do uso de drogas/álcool.   A inversão desses elementos dificulta sobremaneira o desenvolvimento do processo abstêmio.   Leia o texto na íntegra e entenda isso com detalhes. Síndro...

Refamiliarização: reconstruindo laços familiares

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Refamiliarização: reconstruindo laços familiares A drogadição causa profunda desestruturação não apenas no indivíduo, mas também na dinâmica familiar . Com o tempo, a família se adapta à doença do adicto, desenvolvendo papéis e comportamentos disfuncionais que, embora inicialmente pareçam ajudar, acabam perpetuando um ciclo patológico conhecido como codependência . Surgem figuras como o “salvador” ou o “controlador”. Daí, um familiar assume responsabilidades excessivas , enquanto o adicto se infantiliza ou se exime de suas obrigações . Essa distorção de papéis – como irmãos que se tornam “mães” do irmão adicto ou cônjuges que assumem um papel paternalista – cria um ambiente hostil à recuperação, mesmo após a cessação do uso de substâncias.   Refamiliarização é um processo de redefinição sadia dos papéis familiares distorcidos pelos longos anos de adicção. Exige-se que o abstêmio reassuma responsabilidades e autonomia , enquanto os familiares abandonam posturas contro...

Codependência como resposta adaptativa: uma análise antidogmática

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Codependência como resposta adaptativa: uma análise antidogmática Este estudo apresenta uma análise antidogmática da codependência , abordando-a não como uma patologia ou falha moral, mas como uma resposta adaptativa a contextos relacionais disfuncionais . Através de dois casos reais, ilustro como a codependência surge por meio de estratégias de sobrevivência e lealdades familiares profundas .   No primeiro caso , uma mulher desenvolve comportamentos de controle em relação ao marido alcoólatra, encontrando nesse papel uma sensação de propósito e identidade, enraizada em sua história de infância marcada por instabilidade emocional. No segundo caso , um homem assume o papel de protetor da irmã usuária, movido por lealdade familiar e pela tentativa de evitar o sofrimento dos pais, replicando dinâmicas aprendidas em um sistema que valoriza a unidade a qualquer custo.   A perspectiva antidogmática rejeita rótulos rígidos e enfatiza a complexidade dessas dinâmicas, des...

Repertório abstêmio vs. Repertório adicto

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Repertório abstêmio vs. Repertório adicto Existe uma profunda transformação que ocorre quando a pessoa passa do estado de adicção para a vida abstêmia . Durante o vício, o repertório do indivíduo se torna extremamente limitado reduzindo-se, em muitos casos, exclusivamente à busca e ao consumo da substância. Esse estreitamento afeta todas as áreas da vida — relações sociais, emocionais, cognitivas e afetivas —, levando ao isolamento e à atrofia das conexões com o mundo . A adicção aprisiona a pessoa em um ciclo autodestrutivo fazendo com que tudo gire em torno da droga ou do álcool. As outras dimensões da existência são negligenciadas.   No entanto, com o surgimento da sobriedade esse cenário começa a mudar. O repertório, antes restrito, se amplia de forma gradual , tanto no aspecto objetivo (relacionamentos, atividades, conquistas) quanto no aspecto subjetivo (emoções, pensamentos, autopercepção). Técnicas como a mente aberta e a criatividade do ambiente protetivo s...

Síndrome abstêmia de Walt Disney

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Síndrome abstêmia de Walt Disney A síndrome abstêmia de Walt Disney também é conhecida popularmente como a síndrome da “cabeça nas nuvens”, “princesa encantada”, “necessidade de final feliz” ou “ilusão do mundo maravilhoso”.   Essa síndrome é o que conduz muitas pessoas ao universo adicto por acharem que não tem problema consumir "um pouco" de droga/álcool, andarem com pessoas da ativa, manterem os hábitos da adicção ou frequentarem os mesmos locais da época da drogadição. Esse conjunto de crenças (sistema ideológico negativo) que produz a síndrome de Walt Disney é tão forte que, em alguns casos, o adicto não consegue ter a autopercepção de que seu mundo está em ruínas, de que ele chegou ao “fundo do poço” ou de que seus “amigos” adictos não são realmente amigos.   Na síndrome abstêmia de Walt Disney a imaginação supera a razão. A pessoa supõe que existe uma situação que, na realidade, não existe mais. Este conjunto de ilusões se manifesta em diversas áreas...

Ponte de Ouro ou Ponte de contado

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Técnica abstemiológica da Ponte de Ouro ou Ponte de contado Imagine dedicar sua vida a cuidar de alguém que tenha dependência ou alcoolismo, carregando não só as tarefas diárias, mas também o peso emocional de ver essa pessoa oscilar entre avanços e recaídas. É um desgaste silencioso , que mina a esperança e esgota até os mais fortes, levando muitos cuidadores à Síndrome Desmotivacional — um estado de exaustão e descrença no processo de recuperação. No entanto, pergunto: e se existisse uma maneira de reacender a chama da motivação apta a mostrar que a recuperação não só é possível, mas tangível?   A resposta pode estar na Ponte de Ouro , uma técnica abstemiológica que propõe algo aparentemente simples, mas profundamente transformador: conectar cuidadores a abstêmios que já superaram os estágios mais críticos da jornada . Não se trata de reunir qualquer pessoa em recuperação, mas de selecionar aquelas que já ultrapassaram o Ponto “Z” — indivíduos cuja sobriedade já dura ma...

Terapeutas da drogadição ou Terapeutas da Vida Abstêmia?

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Terapeutas da drogadição ou Terapeutas da Vida Abstêmia? Os termos técnicos da dependência química não podem ser aplicados diretamente ao estudo da Vida Abstêmia. Como explica a teoria da adjetivação da abstinência , muitos conceitos precisam ser adaptados para refletir a realidade abstemiológica. Por exemplo, “ limite abstêmio ” ou “responsabilidade abstêmia ” têm significados distintos de suas versões convencionais. Isso também se aplica em expressões como “ lucidez abstêmia ”, “ espiritualidade abstêmia ” e “ tempo abstêmio ” já que carregam nuances específicas dessa abordagem.   Um problema estrutural surge na nomenclatura das profissões ligadas ao tratamento . Termos como “terapeuta em dependência química” designam profissionais que estudam o problema (a adicção), mas não a solução (a Vida Abstêmia). Esses especialistas são essenciais em clínicas e comunidades terapêuticas, porém a Abstemiologia propõe uma nova categorização para quem trabalha com a superação da depen...

Avant la lettre

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Avant la lettre Avant la lettre é uma expressão do idioma francês que sintetiza a ideia de avanço, antecipação técnica, desenvolvimento ou antevisão. Essa expressão é utilizada para afirmar que determinado fato está à frente do seu tempo , ou seja, futuramente o fenômeno será conhecido por todos, mas atualmente não foi sedimentado. Assim, por exemplo, pode-se dizer que “Francisco de Assis era um ecologista antes do surgimento da palavra ‘ecologista’” ou “as sufragistas foram feministas antes mesmo da criação da palavra ‘feminista’”. Como podemos perceber, avant la lettre serve para designar o uso anacrônico de uma palavra que será, em tempos vindouros, muito utilizada.   Nesse sentido, a Abstemiologia propõe uma revolução paradigmática: substitui o modelo doença-dependência (Modelo DDD) por um novo modelo com foco na sobriedade (Modelo AAS) . Além disso, foram adicionados diversos neologismos ao estudo, tais como: coabstinência, abstemiofobia, abstemiocinesia, abstemaior...

Codependência invertida: a codependência com relação oposta

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Codependência invertida: a codependência com relação oposta A codependência invertida é uma variação da codependência tradicional em que os papéis se invertem, mas mantêm a dinâmica disfuncional de controle, necessidade de aprovação e carência emocional.   Na codependência clássica , o cuidador (salvador) se dedica excessivamente a resolver os problemas de um dependente (vítima), sacrificando suas próprias necessidades. Já na codependência invertida , é o dependente quem exerce controle indireto sobre o cuidador manipulando-o através de fragilidade, vitimização ou passividade, a fim de mantê-lo aprisionado em um ciclo de responsabilidade excessiva.   Nessa dinâmica, na codependência invertida , o dependente pode usar chantagens emocionais, ameaças de crises ou simular incapacidade para garantir atenção e controle. Por exemplo, um filho adulto que se recusa a assumir responsabilidades deixando os pais sustentarem sua inércia ou, noutro exemplo, um parceiro que amea...

Codependência dupla ou múltipla

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Codependência dupla ou múltipla Preciso esclarecer que, neste texto, quando falo em " criação avoenga ", refiro-me aos avós que criam os netos devido à dependência química ou alcoolismo dos pais . Não me refiro aos avós que criam os netos em decorrência de outros motivos como migração laboral, doenças graves diversas da adicção ou morte dos pais.   A criação dos netos pelos avós em decorrência da dependência ou do alcoolismo dos pais é uma situação que gera desafios complexos levando os avós a assumirem uma responsabilidade que vai além de suas capacidades emocionais e financeiras.   A codependência surge quando alguém fica tão focado nos problemas do outro que negligencia suas próprias necessidades. No contexto familiar, pais ou cônjuges de dependentes frequentemente desenvolvem esse padrão.   A codependência dupla ocorre quando os avós, já codependentes dos filhos adictos , também assumem a criação dos netos que, por sua vez, também desenvolvem depen...

O lado bom da fissura

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O lado bom da fissura Neste artigo, a Abstemiologia apresenta 10 (dez) aspectos positivos que também fazem parte da crise de fissura. Sim, existe um lado bom na fissura .   1° A fissura indica o rompimento com o ciclo de adicção, surgindo principalmente após a interrupção do uso.   2° A fissura sinaliza que há desintoxicação , mesmo que parcial, pois só ocorre quando a droga/álcool está fora do organismo.   3° A fissura exige uma reavaliação pessoal sobre o uso de substâncias, fortalecendo o autoconhecimento do abstêmio.   4° A fissura desenvolve a autopercepção , ajudando o abstêmio a identificar sintomas variados ao longo do tempo.   5° A fissura é um efeito tardio da adicção, resultante de uma necessidade artificial criada pelo uso prolongado.   6° A fissura evidencia que a pessoa não controla o uso. Essa perda de controle reforça a consciência do que representa a adicção .   7° Superar a fissura quebra o há...

60 (sessenta) modelos de vida abstêmia

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60 (sessenta) Modelos de vida abstêmia   A Abstemiologia apresenta, neste artigo, 60 (sessenta) modelos de vida abstêmia , cada um revelando nuances complexas da abstinência. Os modelos representam mecanismos utilizados pelas pessoas para percorrem a vida abstêmia , ou seja, são formas de seguir com a vida após a dependência química ou alcoólica. Os desvirtuamentos da abstinência mostram como práticas aparentemente corretas podem ser distorcidas, enquanto a abstinência seccionada ou inadequada expõe falhas comuns na vida dos abstêmios. Há abstinências caducadas, que já perderam validade; e diabólicas, que mascaram intenções nocivas. A leviana trata a abstinência com superficialidade, e a dissimulada esconde fragilidades. Fenômenos abstêmios atípicos desafiam padrões, como os modelos “ Superman” ou “ One Step” . Traumas próprios ou alheios motivam alguns abstêmios, enquanto outros vivem o " efeito Popeye " e acreditam em transformações milagrosas. A abstinência po...

Agentes extintores abstemiológicos

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Agentes extintores abstemiológicos Os agentes extintores abstemiológicos podem ser caracterizados como sendo um conjunto de situações protetoras ou qualquer outra condição que possa contribuir para diminuir ou minimizar a probabilidade do uso de drogas/álcool. Essas situações devem ser estimuladas e assim potencializar a mudança no seu novo estilo de vida abstêmio. Por exemplo, alguns eventos como: participação em grupos terapêuticos, prática de atividade física ou assistencialismo podem gerar motivação abstêmia, aumentar o vínculo do abstêmio com seu processo de abstinência, sedimentar valores morais mais sólidos, prevenir comorbidades e desenvolver a espiritualidade. Por isso, a ocorrência de situações protetoras serve para gerar agentes extintores .   Os agentes estressores abstemiológicos , por sua vez, correspondem ou resultado obtido pela incidência de uma situação provocadora, situação de risco ou qualquer outra condição capaz de despertar o desejo pelo uso de d...