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Nível dos efeitos da recaída

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Nível dos efeitos da recaída A teoria do nível dos efeitos da recaída estabelece que, embora todo retorno ao uso de substâncias seja um evento de extrema gravidade , as consequências geradas podem ser mensuradas e classificadas conforme critérios objetivos e cronológicos .   A recaída é compreendida como um processo progressivo que culmina na reintoxicação física , mas cujos impactos variam entre moderados, graves e gravíssimos . Os efeitos moderados são aqueles superáveis com o tempo e o retorno à sobriedade; os graves afetam conquistas consolidadas, como emprego e relações; e os gravíssimos envolvem danos permanentes, como crimes, novas comorbidades ou morte.   Refuto de forma veemente a diferenciação entre "lapso" e recaída , argumentando que o conceito de lapso é um erro técnico e ético que banaliza a reintoxicação e fragiliza o processo terapêutico . Mesmo um consumo de poucos minutos pode resultar em consequências irreversíveis, como uma overdose ou p...

Curva de Gauss no Modelo Abstemiológico

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Curva de Gauss no Modelo Abstemiológico Não se preocupe : apesar da nomenclatura, esse tema não é complicado.   Problematizando : é de domínio público a informação de que o número de pessoas em sobriedade tende a diminuir com o passar do tempo. Existe uma relação inversa entre tempo e abstinência, ou seja, quanto maior o tempo menor será o número de pessoas em abstinência. Como isso pode ser demonstrado matematicamente – ou estatisticamente – sem a necessidade de coleta de dados, mas utilizando somente informações empíricas? É possível compreender como isso ocorre graficamente?   No estudo, faço uma breve análise sobre a relação existente entre o número de pessoas que permanecem em sobriedade e o tempo abstêmio. A questão a ser enfrentada reside no fato de compreender que com o passar do tempo o número de abstêmios sofre uma enorme redução . Sendo assim, são poucas pessoas que permanecem no processo abstêmio por longos períodos. Porém, no final da curva existe ...

Existe ex-dependente?

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A polissemia da pergunta "Existe ex-dependente?" A pergunta "Existe ex-dependente?" é polissêmica (possui vários sentidos) e pragmática (a resposta depende da real intenção de quem fez a pergunta). Inclusive, existem, no mínimo, 06 (seis) variedades de indagações e respectivas respostas sobre o tema.   No viés da ilusão de controle , indaga-se se é possível voltar a consumir a droga de eleição sem retornar à adicção. A resposta é negativa para a substância específica, mas, sob um conceito maximizado de drogas (que amplia o termo para abranger questões como consumo de açúcar, preguiça e sedentarismo), muitos abstêmios poderiam ser considerados "ex-dependentes", desde que evitem substâncias correlatas.   No viés da busca pela cura , a pergunta questiona se a adicção tem cura. Pela visão médica, não há cura, apenas remissão dos sintomas. Já por perspectivas espirituais ou da soberania individual, a pessoa pode sentir-se curada ao retomar o con...

Teoria da adjetivação da abstinência

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Teoria da adjetivação da abstinência Esta videoaula aborda a Teoria da Adjetivação da Abstinência , um conceito fundamental dentro dos estudos de abstemiologia . A premissa central é que todas as atividades cotidianas de uma pessoa que vive em sobriedade precisam ser " adjetivadas ", ou seja, qualificadas de forma diferente das atividades praticadas por quem nunca enfrentou a adicção.   Na videoaula, explico que isso não é apenas uma questão semântica , mas uma necessidade prática de segurança e manutenção da sobriedade. Por exemplo, o lazer abstêmio difere do lazer comum porque exige a aplicação constante de técnicas como "evite pessoas, hábitos e lugares" que possam representar riscos. Da mesma forma, a atividade física deve ser praticada com parcimônia para evitar um cansaço extremo que possa gerar fissuras, e a responsabilidade abstêmia coloca a manutenção da sobriedade como prioridade absoluta acima de qualquer outro compromisso.   Além disso, o ...

Delays da escada abstêmia

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A questão dos delays da escada abstêmia (Tema avançado de abstemiologia) Estudar os delays , na verdade, é compreender o que ocorre quando a pessoa muda sua forma de pensar, sentir e agir . Por exemplo, o mero usuário , pensa de forma diferente do usuário abusivo que, por sua vez, pensa de forma diferente do adicto . O mesmo ocorre nas sucessivas fases de sobriedade que se manifestam no transcorrer da vida abstêmia.   Em apertada síntese, o estudo dos delays da escada abstêmia revela que a trajetória do uso de substâncias à sobriedade incorporada não é linear nem meramente comportamental, mas sim um processo profundo de transição entre sistemas ideológicos antagônicos .   Os 05 (cinco) delays fundamentais — D1, D2, D3, D4 e D5 — mapeiam momentos críticos de perda e recuperação da lucidez, desde o rebaixamento consciencial que inicia a escalada da adicção até a consolidação de uma identidade abstêmia voluntária que se torna cronologicamente mais robusta do q...

Efeito eco da sobriedade

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Efeito eco da sobriedade O efeito eco da sobriedade é o conjunto de repercussões psicológicas, relacionais e sociais tardias que emergem ou se intensificam após a cessação do consumo de álcool, manifestando-se por meio de emoções reprimidas, crises de identidade, compensações excessivas e outros fenômenos que podem levar à recaída mesmo muito tempo após a última dose.   Dizendo o mesmo, mas com outras palavras, o efeito eco da sobriedade ocorre quando, depois que a pessoa para de beber, surgem ou se intensificam problemas emocionais, sociais e psicológicos que estavam “'guardados” desde o tempo em que ela bebia — como culpa , vergonha, crises de identidade e comportamentos exagerados — e esses problemas podem causar recaída mesmo muito tempo após a última dose.   As manifestações do efeito eco ocorrem em diferentes níveis, incluindo o neuropsicológico , com o ressurgimento de emoções antes anestesiadas e a persistência de craving e déficits cognitivos; o psicossocia...

Sobriedade ilusória (videoaula)

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Sobriedade ilusória A sobriedade ilusória , conforme estudada pela Abstemiologia, refere-se à simulação de comportamentos abstêmios sem a verdadeira internalização terapêutica . Caracteriza-se pela manutenção de ganhos secundários (como aprovação social) e pela evitação de mudanças genuínas , configurando uma pseudorrecuperação dentro do modelo de fingimento decisório ( MFD ). Essa dinâmica perpetua a adicção ao criar uma falsa aparência de controle , enquanto o indivíduo rejeita as transformações cognitivas e emocionais necessárias para a sobriedade real.   Três fenômenos interligados sustentam a sobriedade ilusória :   1. Compromisso meramente estético : Manifesta-se como adesão superficial ao tratamento , com ações aparentemente corretas, mas executadas de forma incompleta ou equivocada (ex.: frequentar terapias sem participar ativamente). Isso engana famílias e cuidadores, levando à " síndrome da rotatividade terapêutica " (troca constante de profissionais)...