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Modelo DDD E Modelo AAS

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A velha lacuna produzida pelo discurso sobre drogas e a atual proposta da Abstemiologia Este artigo discute a lacuna existente entre o exaustivo estudo da drogadição e a escassez de análises sobre a vida abstêmia , destacando que o foco social e acadêmico costuma recair sobre o problema ( Modelo DDD ) em detrimento da solução ( Modelo AAS ). Essa disparidade é alimentada pelo modelo biomédico tradicional , que prioriza a patologia, e por uma mídia de entretenimento que frequentemente estereotipa a sobriedade como mera privação.   Para enfrentar esse cenário, os estudos de abstemiologia surgem como um campo de conhecimento dedicado a estudar a vida abstêmia não apenas como a interrupção do uso, mas como um processo lúcido de reconstrução interna, evolução consciencial e recuperação da dignidade . Diferente do senso comum, que reduz o termo à síndrome de abstinência física, a ciência abstemiológica propõe uma jornada dinâmica dividida em fases , como o choque de realidade...

Sobriedade vertical e horizontal

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Falha na verticalização da sobriedade: abstêmio de balcão e sobriedade seca No estudo da superação da dependência química ou alcoolismo é necessário compreender dois conceitos fundamentais propostos pela abstemiologia: a horizontalização e a verticalização da sobriedade.   A horizontalização refere-se ao aspecto quantitativo da jornada, ou seja, à extensão temporal da abstinência, representada pela contagem de dias, meses e anos sem o consumo da substância.   Já a verticalização diz respeito à dimensão qualitativa e evolutiva , que envolve o aprofundamento ético, moral e existencial do indivíduo, promovendo uma verdadeira reforma íntima e a ressignificação de seus valores e comportamentos. A falha nesse processo de verticalização dá origem a dois fenômenos distintos: o abstêmio de balcão e a sobriedade seca .   O abstêmio de balcão representa aquela pessoa que interrompeu o uso da substância, mas mantém a mentalidade e os hábitos do período de uso,...

Patologia alimentada pelo silêncio

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Codependência tácita: patologia alimentada pelo silêncio A codependência tácita é uma das formas de codependência mais difíceis de ser identificada, pois se camufla na normalidade do não dito . Seu tratamento exige desautomatização de comportamentos e reconstrução de vínculos sob novas bases.   A codependência tácita é uma forma silenciosa e não explícita de dependência relacional, em que as pessoas sustentam padrões disfuncionais sem reconhecer conscientemente seu papel nesse ciclo . Diferente da codependência clássica — onde há algum nível de consciência do problema —, aqui o que prevalece é o silêncio, a cumplicidade inconsciente e normas não ditas que mantêm um equilíbrio patológico em casais, famílias ou grupos.   O oposto disso seria a interdependência saudável , fundada na autonomia, comunicação clara e apoio mútuo sem relações sufocantes. Essa dinâmica é analisada pela Abstemiologia , que vai além da abstinência química e foca na mudança dos sistemas rel...

Distorção da sobriedade

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Efeito halo e distorção da sobriedade O efeito halo representa um padrão sistemático de distorção no julgamento — ou na interpretação da realidade — influenciado por crenças, emoções ou experiências pessoais. Para o efeito halo uma característica positiva ou negativa de uma pessoa, marca ou coisa influencia a percepção geral sobre ela, ofuscando outras qualidades.   Por exemplo, um aspecto positivo (como a simpatia ou a fama de uma marca) pode fazer com que todas as outras características sejam vistas como melhores, constituindo o efeito halo . Se o aspecto for negativo, ocorre o inverso, conhecido como efeito horn (chifre) ou halo negativo . O termo foi cunhado pelo psicólogo Edward Thorndike, que observou que soldados avaliados positivamente em uma qualidade recebiam notas altas em todas as outras.   A relação entre efeito halo e recuperação da dependência química ou alcoólica se materializa na forma como a sociedade percebe os abstêmios. No halo positivo , a a...

Adalby Ferreira Carvalho

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Adalby Ferreira Carvalho: mais um abstemiologista Adalby Ferreira Carvalho destaca-se como um profissional vocacionado para o desenvolvimento humano e o serviço ao próximo. Com mais de uma década de recuperação ativa , transformou sua própria vivência em combustível para acolher e guiar aqueles que buscam a sobriedade. Sua atuação como Terapeuta Holístico fundamenta-se em uma bagagem expressiva de mais de 70 terapias (IBRATH) e na qualificação como Conselheiro em Dependência Química (COMPACTA/ABRADEQ). Sempre em busca de embasamento científico e humanizado, expandiu seu escopo técnico ao realizar o CURSO DE FORMAÇÃO EM ABSTEMIOLOGIA , qualificando-se como um abstemiologista preparado para aplicar conceitos especializados no processo de pós-recuperação.   Com uma abordagem focada na dignidade humana, Adalby Ferreira Carvalho possui grande habilidade para liderar equipes multidisciplinares, conduzir dinâmicas coletivas e realizar atendimentos individuais e monitorias ...

Tratamento concomitante

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Tratamento concomitante: a reabilitação conjunta entre família e dependente A dependência química raramente é um fenômeno isolado, manifestando-se como um sintoma relacional profundamente enraizado no sistema familiar. O transtorno por abuso de substâncias (TUSP) torna-se o ponto focal, mas a dor e a disfunção permeiam todas as relações. A família, como contexto mais influente, desenvolve dinâmicas e papéis rígidos — como os modelos de codependentes, herói, salvador, vítima, perseguidor ou bode expiatório — que, inadvertidamente, perpetuam o ciclo da dependência .   O transtorno por uso de substâncias pode, assim, ser uma tentativa disfuncional do indivíduo de se ajustar a um sistema desequilibrado ou de expressar uma angústia que a família não consegue resolver. A codependência persiste porque suas "recompensas" imediatas — conforme ensina o paradoxo da codependência — mascaram as consequências destrutivas a longo prazo.   Diante dessa perspectiva, torna-se...

Profissões de risco

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Profissões de risco: a vulnerabilidade ocupacional à dependência Este artigo aborda a complexa relação entre certas profissões e a maior vulnerabilidade ao alcoolismo e à dependência química . Evidências científicas demonstram que o risco para transtornos por uso de substâncias (TUSP) não é uniforme na sociedade, sendo significativamente influenciado pelas características socioambientais de cada ocupação.   Profissões marcadas por alto estresse, exposição a traumas, acesso a drogas, longas jornadas e uma cultura que normaliza o consumo apresentam prevalências alarmantes. Policiais e militares , por exemplo, exibem taxas de consumo abusivo de álcool muito superiores à média da população, frequentemente usando a substância como automedicação para o estresse e o trauma. Profissionais de saúde , em especial anestesiologistas , enfrentam risco elevado de dependência de opioides e outras drogas controladas, devido ao acesso facilitado e à pressão extrema. Setores como hotelaria, constru...