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Existe ex-dependente?

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A polissemia da pergunta "Existe ex-dependente?" A pergunta "Existe ex-dependente?" é polissêmica (possui vários sentidos) e pragmática (a resposta depende da real intenção de quem fez a pergunta). Inclusive, existem, no mínimo, 06 (seis) variedades de indagações e respectivas respostas sobre o tema.   No viés da ilusão de controle , indaga-se se é possível voltar a consumir a droga de eleição sem retornar à adicção. A resposta é negativa para a substância específica, mas, sob um conceito maximizado de drogas (que amplia o termo para abranger questões como consumo de açúcar, preguiça e sedentarismo), muitos abstêmios poderiam ser considerados "ex-dependentes", desde que evitem substâncias correlatas.   No viés da busca pela cura , a pergunta questiona se a adicção tem cura. Pela visão médica, não há cura, apenas remissão dos sintomas. Já por perspectivas espirituais ou da soberania individual, a pessoa pode sentir-se curada ao retomar o con...

Teoria da adjetivação da abstinência

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Teoria da adjetivação da abstinência Esta videoaula aborda a Teoria da Adjetivação da Abstinência , um conceito fundamental dentro dos estudos de abstemiologia . A premissa central é que todas as atividades cotidianas de uma pessoa que vive em sobriedade precisam ser " adjetivadas ", ou seja, qualificadas de forma diferente das atividades praticadas por quem nunca enfrentou a adicção.   Na videoaula, explico que isso não é apenas uma questão semântica , mas uma necessidade prática de segurança e manutenção da sobriedade. Por exemplo, o lazer abstêmio difere do lazer comum porque exige a aplicação constante de técnicas como "evite pessoas, hábitos e lugares" que possam representar riscos. Da mesma forma, a atividade física deve ser praticada com parcimônia para evitar um cansaço extremo que possa gerar fissuras, e a responsabilidade abstêmia coloca a manutenção da sobriedade como prioridade absoluta acima de qualquer outro compromisso.   Além disso, o ...

Delays da escada abstêmia

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A questão dos delays da escada abstêmia (Tema avançado de abstemiologia) Estudar os delays , na verdade, é compreender o que ocorre quando a pessoa muda sua forma de pensar, sentir e agir . Por exemplo, o mero usuário , pensa de forma diferente do usuário abusivo que, por sua vez, pensa de forma diferente do adicto . O mesmo ocorre nas sucessivas fases de sobriedade que se manifestam no transcorrer da vida abstêmia.   Em apertada síntese, o estudo dos delays da escada abstêmia revela que a trajetória do uso de substâncias à sobriedade incorporada não é linear nem meramente comportamental, mas sim um processo profundo de transição entre sistemas ideológicos antagônicos .   Os 05 (cinco) delays fundamentais — D1, D2, D3, D4 e D5 — mapeiam momentos críticos de perda e recuperação da lucidez, desde o rebaixamento consciencial que inicia a escalada da adicção até a consolidação de uma identidade abstêmia voluntária que se torna cronologicamente mais robusta do q...

Efeito eco da sobriedade

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Efeito eco da sobriedade O efeito eco da sobriedade é o conjunto de repercussões psicológicas, relacionais e sociais tardias que emergem ou se intensificam após a cessação do consumo de álcool, manifestando-se por meio de emoções reprimidas, crises de identidade, compensações excessivas e outros fenômenos que podem levar à recaída mesmo muito tempo após a última dose.   Dizendo o mesmo, mas com outras palavras, o efeito eco da sobriedade ocorre quando, depois que a pessoa para de beber, surgem ou se intensificam problemas emocionais, sociais e psicológicos que estavam “'guardados” desde o tempo em que ela bebia — como culpa , vergonha, crises de identidade e comportamentos exagerados — e esses problemas podem causar recaída mesmo muito tempo após a última dose.   As manifestações do efeito eco ocorrem em diferentes níveis, incluindo o neuropsicológico , com o ressurgimento de emoções antes anestesiadas e a persistência de craving e déficits cognitivos; o psicossocia...

Sobriedade ilusória (videoaula)

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Sobriedade ilusória A sobriedade ilusória , conforme estudada pela Abstemiologia, refere-se à simulação de comportamentos abstêmios sem a verdadeira internalização terapêutica . Caracteriza-se pela manutenção de ganhos secundários (como aprovação social) e pela evitação de mudanças genuínas , configurando uma pseudorrecuperação dentro do modelo de fingimento decisório ( MFD ). Essa dinâmica perpetua a adicção ao criar uma falsa aparência de controle , enquanto o indivíduo rejeita as transformações cognitivas e emocionais necessárias para a sobriedade real.   Três fenômenos interligados sustentam a sobriedade ilusória :   1. Compromisso meramente estético : Manifesta-se como adesão superficial ao tratamento , com ações aparentemente corretas, mas executadas de forma incompleta ou equivocada (ex.: frequentar terapias sem participar ativamente). Isso engana famílias e cuidadores, levando à " síndrome da rotatividade terapêutica " (troca constante de profissionais)...

A regra de ouro da vida abstêmia

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Qual a regra de ouro para manter a vida abstêmia? Neste artigo ensino você a fazer um exercício teórico de redução da técnica "do evite e do procure" ao mínimo patamar possível . No texto descrevo 03 (três) níveis de restrição .   No primeiro nível , exclui-se completamente a parte "do procure", de modo que a pessoa deixa de buscar novas companhias, atividades físicas, regularização do sono ou qualquer apoio terapêutico, restando apenas a técnica "do evite". No segundo nível , dentro do próprio "evite", também se retiram as restrições quanto a "pessoas" e "lugares" da ativa, permitindo que o abstêmio continue convivendo com antigos usuários e frequentando festas e baladas, mantendo-se apenas o cuidado de evitar "hábitos" da ativa. Por fim, no terceiro e mais extremo nível de restrição , até mesmo a maior parte dos hábitos da ativa é liberada, restando um único hábito que deve ser rigorosamente evitado: consu...

Cenários abstemiológicos

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Cenários abstemiológicos Neste estudo apresento os 03 (três) principais cenários enfrentados por abstêmios na manutenção da sobriedade: situações protetoras , que englobam condições que fortalecem a vida abstêmia, como rotinas saudáveis e apoio terapêutico; situações provocadoras , caracterizadas por eventos que despertam o desejo pelo uso, como contato com pessoas ou ambientes ligados ao consumo; e as situações de risco , que ocorrem quando uma situação provocadora surge de forma inesperada ou intensa, exigindo maior preparo técnico para sua evitabilidade.   Superar esses desafios não representa apenas uma conquista comportamental , mas também a concretização de mudanças neuroplásticas benéficas no cérebro em recuperação, reforçando circuitos de autocontrole. Na íntegra do texto, explico que para mensurar a probabilidade de recaída, existe a equação dos riscos abstêmios. Tal fórmula combina exposição, vulnerabilidade e perigo , demonstrando que o uso de técnicas específ...