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Fenômenos de Para-Abstinência

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Fenômenos de Para-Abstinência Nesse artigo você conhecerá alguns fenômenos que envolvem, de modo indireto, a vida abstêmia. A interrupção do consumo de drogas/álcool ( cessação definitiva ) constitui-se no objetivo principal da abstinência. Entretanto, existem objetos periféricos que tangem a sobriedade. Cito o caso da coabstinência que corresponde à vida abstêmia das pessoas que se relacionam diretamente com a pessoa que está tentando manter a própria sobriedade. Aliás, a coabstinência sinaliza, de certa forma, o fim da codependência . Outros exemplos de fenômenos de para-abstinência são:   · Abstinência paralela   · Abstinência geográfica encampada   · Fenômenos abstêmios atípicos   · Abstinência originária (homo abstemius purus)   · Abstinência originária expansiva (ou extensiva)   · Desvirtuamentos abstêmios   · Desvios abstêmios do 2º ao 4º escalão   · Incidência dos redutores abstemiológicos de discerni...

Vida abstêmia

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Vida abstêmia A vida abstêmia é compreendida como um conjunto abrangente e complexo de fatores que vai muito além da simples interrupção do uso de substâncias , envolvendo a sobreposição de ciclos concêntricos que incluem a desintoxicação, a superação de fissuras, a prevenção de recaídas e a adoção de um novo sistema ideológico. Através da abstemiologia, é possível analisar o caminho da abstinência por meio de 05 (cinco) diferentes modelos .   O modelo objetivo foca em marcos físicos e temporais, como a desintoxicação e as fases abstemiológicas, enquanto o modelo subjetivo classifica o progresso do indivíduo desde o estado de abstêmio mínimo até o mega-abstêmio. Já o modelo axiológico observa a transição de um sistema ideológico adicto para um positivo e, eventualmente, duplo positivo, contrastando com o modelo desviante , que representa uma suspensão temporária ou irresponsável do uso com alto risco de retorno à drogadição. Por fim, o modelo oblíquo utiliza pontos esp...

Abstinência paralela

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Abstinência paralela A abstinência paralela refere-se à manifestação de um fenômeno em que familiares, amigos ou terceiros próximos a uma pessoa que superou a adicção e iniciou uma vida abstêmia também decidem se abster do consumo de álcool e outras drogas. Essa decisão, geralmente motivada por solidariedade e pelo desejo de servir de exemplo , é denominada " coabstinência ", e os indivíduos que a praticam são chamados de " coabstêmios ". Isso é completamente diferente do comportamento da codependência .   Enquanto a codependência é um padrão de comportamento disfuncional que precisa ser tratado, a coabstinência , nos termos aqui propostos, pode ser um recurso saudável e fortalecedor para todo o sistema familiar, desde que vivida de forma autêntica e que não represente uma nova forma de sofrimento ou privação para os coabstêmios.   Existem inúmeras dinâmicas trás desse fenômeno: abstinência paralela . Por exemplo, a intensidade da abstinência paralela...

Curso de Abstemiologia Aplicada

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Curso de Abstemiologia Aplicada   Audioaulas sobre superação do alcoolismo e dependência química Apresentamos o primeiro curso no formato podcast dedicado ao estudo da Dependência Química, Alcoolismo e Abstemiologia .   Conteúdo de qualidade em áudio para você aprender de forma prática e acessível . Além das aulas, você terá acesso exclusivo a fontes escritas e apostilas complementares para um estudo aprofundado.   O curso apresenta de forma didática e técnica diversos temas de abstemiologia, dependência química e alcoolismo. São apresentados estudos como:    · Cerveja sem álcool: o cavalo de troia da recuperação   · Dependência química na terceira idade: um retrato invisível   · Kit recaída e suas modalidades   · Novas modalidades de codependentes: uma taxonomia contemporânea   · Dependência cruzada: conceito, modalidades e riscos   · A droga de eleição e o fenômeno da migração   · Fal...

Inversão da probabilidade de recaída

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Inversão da probabilidade de recaída em relação ao tempo abstêmio Convido o leitor a fazer uma aposta. Imagine dois abstêmios . O primeiro consiste num abstêmio com pouquíssimo tempo de sobriedade (30 dias, 60 dias ou 90 dias, por exemplo). O segundo indivíduo, entretanto, possui grande tempo de sobriedade (20 anos, 25 anos ou 30 anos, por exemplo). Nesse caso, especificamente, ambos os abstêmios possuem o mesmo passado de drogadição (20 anos) e todas as demais variáveis são equivalentes (exposição, riscos, profissão, afetividade, drogas de eleição etc.). Se você fosse apostar, pergunto: qual deles possui a maior chance de recair (reintoxicação física)? Existe uma diferença na probabilidade de recaída conforme o tempo de abstinência? Vamos analisar isso.   A questão analisada nesse estudo refere-se à probabilidade de recaída em relação ao tempo abstêmio , ou seja, com o passar do tempo de abstinência a probabilidade de recair (reintoxicação física) é menor, igual ou maior...

Verticalização da sobriedade

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Falha na verticalização da sobriedade: abstêmio de balcão e sobriedade seca No estudo da superação da dependência química ou alcoolismo é necessário compreender dois conceitos fundamentais propostos pela abstemiologia: a horizontalização e a verticalização da sobriedade.   A horizontalização refere-se ao aspecto quantitativo da jornada, ou seja, à extensão temporal da abstinência, representada pela contagem de dias, meses e anos sem o consumo da substância.   Já a verticalização diz respeito à dimensão qualitativa e evolutiva , que envolve o aprofundamento ético, moral e existencial do indivíduo, promovendo uma verdadeira reforma íntima e a ressignificação de seus valores e comportamentos. A falha nesse processo de verticalização dá origem a dois fenômenos distintos: o abstêmio de balcão e a sobriedade seca .   O abstêmio de balcão representa aquela pessoa que interrompeu o uso da substância, mas mantém a mentalidade e os hábitos do período de uso,...

Eu bebo com o meu dinheiro e ninguém tem nada a ver com isso

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“Eu bebo com o meu dinheiro e ninguém tem nada a ver com isso” Este estudo decompõe a frase “eu bebo com o meu dinheiro e ninguém tem nada a ver com isso” com a finalidade de analisar o que ela realmente significa do ponto de vista do dependente ou alcoolista.   Em apertada síntese, a frase "eu bebo com o meu dinheiro e ninguém tem nada a ver com isso" representa uma das distorções cognitivas mais profundas e comuns no repertório do adicto . Esta máxima não é um simples desabafo, mas uma crença estruturante que revela o estado de negação e a cegueira cognitiva do indivíduo .   Ao afirmar " eu bebo... ", o sujeito reafirma o seu prazer e a sua identificação com o consumo. A expressão "...com meu dinheiro..." expõe um orgulho exacerbado e a tentativa ilusória de provar que ainda mantém o controle, ignorando que os recursos gastos com o consumo de álcool ou drogas frequentemente fazem falta em necessidades básicas da família. Esta percepção distorcida impe...