Verticalização da sobriedade

Falha na verticalização da sobriedade: abstêmio de balcão e sobriedade seca



No estudo da superação da dependência química ou alcoolismo é necessário compreender dois conceitos fundamentais propostos pela abstemiologia: a horizontalização e a verticalização da sobriedade.

 

A horizontalização refere-se ao aspecto quantitativo da jornada, ou seja, à extensão temporal da abstinência, representada pela contagem de dias, meses e anos sem o consumo da substância.

 

Já a verticalização diz respeito à dimensão qualitativa e evolutiva, que envolve o aprofundamento ético, moral e existencial do indivíduo, promovendo uma verdadeira reforma íntima e a ressignificação de seus valores e comportamentos. A falha nesse processo de verticalização dá origem a dois fenômenos distintos: o abstêmio de balcão e a sobriedade seca.

 

O abstêmio de balcão representa aquela pessoa que interrompeu o uso da substância, mas mantém a mentalidade e os hábitos do período de uso, continuando a frequentar os mesmos ambientes de risco e a conviver com as mesmas amizades ligadas ao consumo, vivendo constantemente à beira do precipício. Já a sobriedade seca representa um estado mais profundo, no qual o indivíduo até pode ter se afastado dos ambientes de ativação, mas não realizou a reforma íntima necessária, permanecendo em um estado emocional marcado por irritabilidade, amargura e rigidez mental, sentindo a vida sem a substância como um fardo insuportável.

 

É comum que pessoas com falha de verticalização da sobriedade pensem da seguinte maneira: “Eu bebo com meu dinheiro e ninguém tem nada a ver com isso”, “Eu me divertia antes, agora passo o final de semana no sofá vendo TV” ou “Quando eu bebia tinha muitos amigos, agora que estou sóbrio não tenho ninguém”.

 

Para superar essas armadilhas, existe a técnica da reorientação de eixo. Em síntese, essa técnica consiste em realizar um esforço consciente para inclinar a trajetória de vida “para cima”, promovendo simultaneamente mudanças de hábitos, afastamento de ambientes de risco e, principalmente, um trabalho de reforma interior por meio de terapia, prática de virtudes e serviço ao próximo (voluntariado).

 

Em suma, a verdadeira plenitude da vida abstêmia não reside apenas em “durar” no tempo através da sobriedade, mas em crescer qualitativamente através dele, transformando a mera sobrevivência em uma nova forma de existência lúcida e significativa.

 

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Falha na verticalização da sobriedade (CLIQUE AQUI E LEIA O ARTIGO NA ÍNTEGRA)

 

Bons estudos!

Escritor: Péricles Ziemmermann