Abstinência paralela

Abstinência paralela



A abstinência paralela refere-se à manifestação de um fenômeno em que familiares, amigos ou terceiros próximos a uma pessoa que superou a adicção e iniciou uma vida abstêmia também decidem se abster do consumo de álcool e outras drogas. Essa decisão, geralmente motivada por solidariedade e pelo desejo de servir de exemplo, é denominada "coabstinência", e os indivíduos que a praticam são chamados de "coabstêmios". Isso é completamente diferente do comportamento da codependência.

 

Enquanto a codependência é um padrão de comportamento disfuncional que precisa ser tratado, a coabstinência, nos termos aqui propostos, pode ser um recurso saudável e fortalecedor para todo o sistema familiar, desde que vivida de forma autêntica e que não represente uma nova forma de sofrimento ou privação para os coabstêmios.

 

Existem inúmeras dinâmicas trás desse fenômeno: abstinência paralela. Por exemplo, a intensidade da abstinência paralela pode ser proporcional ao trauma causado pela adicção do familiar, como no caso de filhos de alcoolistas que desenvolvem aversão ao álcool. Além disso, a abstinência paralela corresponde a um "efeito expansivo subjetivo" da sobriedade, que pode ajudar a preencher o vazio deixado pela reestruturação dos papéis familiares (refamiliarização) após o fim do comportamento adicto, criando um projeto de vida coletivo e saudável. Ademais disso, a ideia de abstinência paralela encontra respaldo em teorias da aprendizagem social, onde os coabstêmios atuam como modelos que demonstram ser possível uma vida gratificante sem substâncias.

 

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Bons estudos!

Escritor: Péricles Ziemmermann