Parar de usar não basta! Por que tantos acreditam nessa mentira?
Parar de usar não basta! Por que tantos acreditam nessa
mentira?
Este texto critica
a crença popular de que "não basta parar, é preciso algo mais"
no tratamento da dependência química. Essa ideia equivocada, embora útil como
recurso pedagógico e motivacional, contém um reducionismo técnico: trata
a abstinência como um estado passivo e insuficiente, quando, na verdade,
ela é um processo dinâmico e autossuficiente.
A abstinência na
fase inicial, geralmente, possui poucos atributos sendo chamada de hipoabstinência,
é frágil e marcada por comportamentos e mentalidade adicta remanescentes. Com o
tempo e a sustentação da cessação definitiva do uso, ocorre um amadurecimento
natural que leva à hiperabstinência, estado de sobriedade plena,
autonomia e transformação existencial.
Além disso,
existem 02 (dois) fenômenos que servem como justificativa para as frases
que se baseiam no raciocínio “Não basta ‘X’, é preciso ‘Y’”: o "abstêmio
de balcão", que para de usar mas mantém ambientes e hábitos do uso, e
a "sobriedade seca", marcada por irritabilidade e sofrimento
emocional sem reforma íntima. Mesmo nestes casos, não se pode olvidar que a cessação
definitiva (interrupção) do uso é o eixo fundamental e inegociável (elemento
fundamental), enquanto terapia, família e espiritualidade são elementos
acessórios, importantes, mas não substitutos.
Assim, a
abstinência, compreendida em sua totalidade (vida abstêmia), já contém o germe
da mudança, tornando a busca por fatores externos como condição secundária,
mas não primária. Do contrário, podemos ser levados a acreditar que a pessoa
precisa de terapia, medicamento, espiritualidade ou apoio familiar, mas não
precisa “evitar o primeiro gole e dose”. Isso seria ilógico.
Para ler o texto
na íntegra:
Bons
estudos!
Escritor:
Péricles Ziemmermann