Introdução ao Paradoxo de Simpson nos estudos de Abstemiologia
Introdução ao Paradoxo de Simpson nos estudos de Abstemiologia
O Paradoxo
de Simpson, como mostro neste estudo, ensina como análises estatísticas
agregadas podem gerar conclusões distorcidas ou pessimistas sobre a
recuperação da dependência química.
O Paradoxo de
Simpson ocorre quando uma tendência observada em dados gerais se inverte ou
desaparece ao dividir a população em subgrupos. Nos estudos da
Abstemiologia isso se manifesta quando dados globais ignoram as chamadas
“variáveis de confusão” fundamentais, como a gravidade clínica da
drogadição, o tempo de sobriedade (lastro abstêmio), a existência de comorbidades,
o nível de engajamento e o suporte sociofamiliar.
Por exemplo,
pense em dois grupos terapêuticos de mútua ajuda: um situado numa localidade
de baixíssima renda e outro num bairro nobre. À primeira vista, ao
analisar os dados globais, o grupo do bairro nobre pode parecer mais
eficaz por exibir uma taxa de sucesso superior na média geral já que conta com mais
estrutura, escolaridade dos participantes, condições financeiras e familiares mais
favoráveis, entre outras. No entanto, essa aparente superioridade
desfaz-se quando estratificamos os participantes pela gravidade do quadro
clínico inicial. Se o grupo de alta renda acolher majoritariamente casos
graves e crônicos, enquanto o grupo na localidade de baixíssima renda
receber um volume massivo de participantes com quadros leves cuja
recuperação é mais ágil, a média global fica completamente distorcida. Ao
isolar as categorias, descobre-se que o grupo terapêutico em local de baixa
renda pode atingir taxas de sucesso superiores nos quadros leves e também
em quadros graves, provando que a distorção inicial decorria unicamente da
desproporção na gravidade dos casos acolhidos em cada local.
Da mesma
forma, a alta taxa de desistência que surge nos primeiros meses da vida
abstêmia (a famosa curva de Gauss do modelo abstemiológico) distorce a
eficácia real dos grupos de mútua ajuda ou da internação, camuflando o sucesso
expressivo daqueles que alcançam a sobriedade continuada. Aliás, no estudo, destaco
que, embora o início do processo apresente quedas acentuadas por conta das
recaídas, os indivíduos que ultrapassam os primeiros anos de sobriedade e
mantêm o suporte adequado tendem a consolidar uma vida abstêmia perene.
O artigo conclui
que a análise estratificada (ou em subgrupos) se mostra indispensável
para evitar o descrédito de intervenções terapêuticas válidas.
Leia o texto
na íntegra:
Bons
estudos!
Escritor: Péricles Ziemmermann