Abstêmios por genética
Abstêmios por genética:
imunidade funcional à adicção
Este artigo explica que se
existe um fator genético facilitador da vulnerabilidade à dependência
química e ao alcoolismo, é lógico que também existam fatores genéticos
protetores da sobriedade e a resistência. Aliás, a evidência científica
explica que a genética da adicção não é um sistema binário de
"risco ou nada", mas sim um espectro complexo que engloba tanto a predisposição
ao vício quanto os fatores genéticos protetores.
Sabemos que a dependência
possui um forte componente hereditário, mas que este representa uma
vulnerabilidade e não um destino, uma vez que resulta da interação de
múltiplos genes com fatores ambientais. No entanto, este artigo explica que
é falho considerar a genética apenas como um fator de risco, ignorando o
conceito de genes protetores que conferem resiliência.
O exemplo mais robusto e
claro dessa proteção genética que favorece a sobriedade é a variante inativa
do gene ALDH2, comum em populações do leste asiático. Indivíduos com essa
variante experimentam uma reação física aversiva intensa ao consumir
álcool, devido ao acúmulo de acetaldeído, o que os protege funcionalmente do
alcoolismo. Outros exemplos incluem variantes genéticas que levam a um sistema
de recompensa cerebral mais estável ou que influenciam traços de
personalidade como alto autocontrole e baixa impulsividade, todos atuando
como fatores de proteção.
Portanto, a sobriedade não
é apenas uma questão de força de vontade ou ambiente, mas pode ser
significativamente favorecida por um patrimônio genético protetor,
existindo efetivamente "abstêmios por genética". No entanto,
ressalto que a proteção genética não se refere a uma imunidade
absoluta. A dependência química é um fenômeno biopsicossocial de modo que o
fator ambiental é extremamente relevante.
A genética pode carregar a
"pistola", mas é o ambiente que "aperta o gatilho"; uma pessoa
com resistência genética pode ainda assim desenvolver dependência sob um
estresse ambiental extremo, assim como alguém com alta vulnerabilidade
pode nunca a desenvolver, se não for exposto a substâncias ou ambientes de
risco.
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Abstêmios por genética: imunidade funcional à adicção (CLIQUE AQUI E LEIA O ARTIGO NA ÍNTEGRA)
Bons
estudos!
Escritor: Péricles Ziemmermann