Eu bebo com o meu dinheiro e ninguém tem nada a ver com isso
“Eu bebo com o meu dinheiro e ninguém
tem nada a ver com isso”
Este estudo decompõe a frase “eu bebo
com o meu dinheiro e ninguém tem nada a ver com isso” com a finalidade de analisar
o que ela realmente significa do ponto de vista do dependente ou
alcoolista.
Em apertada síntese, a frase "eu
bebo com o meu dinheiro e ninguém tem nada a ver com isso" representa uma
das distorções cognitivas mais profundas e comuns no repertório do adicto.
Esta máxima não é um simples desabafo, mas uma crença estruturante que
revela o estado de negação e a cegueira cognitiva do indivíduo.
Ao afirmar "eu bebo...",
o sujeito reafirma o seu prazer e a sua identificação com o consumo. A expressão
"...com meu dinheiro..." expõe um orgulho exacerbado e a
tentativa ilusória de provar que ainda mantém o controle, ignorando que os
recursos gastos com o consumo de álcool ou drogas frequentemente fazem falta em
necessidades básicas da família. Esta percepção distorcida impede o adicto
de enxergar os danos afetivos e sociais que provoca, criando uma barreira
invisível entre ele e a realidade do seu próprio prejuízo. A afirmação final de
que "... e ninguém tem nada a ver com isso." sinaliza
um isolamento egocêntrico e a rejeição explícita a qualquer forma de ajuda
externa, revelando uma postura de autossuficiência perigosa que ignora riscos
graves como overdoses ou acidentes.
Por fim, no texto, destaco que esta
mentalidade é devastadora porque vincula a identidade da pessoa à própria
patologia, dificultando o início de qualquer processo de recuperação. A boa
notícia é que esta ideologia adicta pode ser desconstruída durante a
jornada de sobriedade, através da substituição destas crenças por novas
percepções. Por exemplo, com o reconhecimento do desequilíbrio emocional que
esse pensamento causa e o impacto negativo na família dos danos gerados pelo
consumo sem arreios. Assim, o indivíduo consegue quebrar o ciclo da negação,
tornando-se finalmente disposto a aceitar o apoio necessário para reorganizar a
sua vida de forma lúcida e funcional.
Leia o artigo na íntegra no
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Bons estudos!
Escritor: Péricles Ziemmermann
