Dependência química na terceira idade
Dependência química na terceira idade: um retrato
invisível
A dependência
química na terceira idade é um fenômeno complexo e frequentemente
invisibilizado, que desafia estereótipos sociais e exige um olhar clínico
sensível. Tradicionalmente associado a jovens, o abuso de substâncias entre
idosos revela um quadro preocupante e em crescimento, envolvendo álcool,
medicamentos psicotrópicos e outras substâncias, agravado pelo envelhecimento
populacional. A abstemiologia ajuda a compreender que a adicção nesta fase não
tem um perfil único, podendo-se identificar 03 (três) grupos principais:
os que mantêm sobriedade continuada desde antes da terceira idade (grupo da
sobriedade continuada); os com adicção crônica pregressa e persistente, que
iniciaram o uso antes e continuam na velhice (grupo da adicção crônica
pregressa e persistente); e os dependentes tardios, que começam a usar após
os 60 anos, geralmente em resposta a perdas, solidão ou dores crônicas (grupo
dos dependentes tardios).
Os efeitos da
adicção na terceira e quarta idade são particularmente insidiosos devido às alterações
fisiológicas do envelhecimento. A redução da massa magra e da água
corporal, junto com um metabolismo menos eficiente, potencializa os efeitos das
substâncias. Sintomas como confusão mental, quedas, instabilidade postural e
alterações de humor são frequentemente atribuídos ao envelhecimento ou a
demências, mascarando o problema real. A interação entre álcool e
medicamentos comuns na terceira idade pode gerar quadros que imitam o
declínio senil, como sonolência excessiva, oscilações de humor ou incontinência
urinária súbita.
O tratamento
exige uma abordagem especializada e integrada, envolvendo geriatras,
psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais, com foco na redução de danos e
na reconstrução de uma rotina significativa. A intervenção deve ser de
baixa confrontação, priorizando a comunicação não violenta e o apoio afetuoso.
É importantíssimo reestruturar a rotina do idoso, estimulando atividades
que promovam pertencimento e propósito, como grupos de convivência e hobbies.
A desintoxicação requer cautela devido ao risco de síndromes de retirada
e à fragilidade orgânica.
Reconhecer e
abordar a adicção na terceira idade é um imperativo de dignidade. A
intervenção adequada pode não apenas prolongar a vida, mas devolver qualidade,
conexão e sentido, permitindo uma longevidade lúcida e digna. Requer que
a sociedade e os sistemas de saúde ajustem o foco, enxergando a complexa
paisagem humana que reside além dos estereótipos da idade.
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Bons
estudos!
Escritor: Péricles Ziemmermann
