Preguiça do ocupado

Preguiça do ocupado: a procrastinação ativa



A "preguiça do ocupado" é um estado de hiperatividade superficial que serve como fuga psicológica para evitar tarefas importantes e reflexões profundas. Diferente da preguiça comum, manifesta-se por uma agenda lotada de atividades triviais, mantendo a pessoa em constante correria para não enfrentar questões existenciais ou trabalho significativo. Esse conceito tem raízes antigas, como na ideia de "acedia" dos monges do deserto, e foi posteriormente explorado por pensadores como Kierkegaard, que viam no ativismo frenético uma forma de desespero, evitação e fuga da realidade.

 

Na dinâmica da codependência, especialmente em famílias com dependência química, a "preguiça do ocupado" pode agravar padrões disfuncionais. Um dos pais, ao se manter excessivamente ocupado com tarefas menores, transfere a responsabilidade do cuidado do dependente para o outro, que assume o papel de salvador e controlador. Isso gera sobrecarga, esgotamento e perpetua o ciclo destrutivo, impedindo a recuperação tanto do dependente quanto do codependente. A ocupação excessiva atua como anestésico socialmente aceito, mascarando a evitação de conflitos e do autoconhecimento.

 

Romper esse ciclo exige reconhecer a dinâmica disfuncional, estabelecer limites saudáveis e buscar apoio especializado. É fundamental que o codependente priorize seu próprio bem-estar, entendendo que o autocuidado não é abandono, mas um passo necessário para uma ajuda genuína. A transformação começa ao substituir a atividade evasiva por pausas deliberadas, autorreflexão e ações focadas no autodesenvolvimento, abandonando a identidade de "indispensável" para construir uma autonomia consciente.

 

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Bons estudos!

Escritor: Péricles Ziemmermann