Embriaguez ontológica, sobriedade seca e porre seco
Distinção entre embriaguez ontológica,
sobriedade seca e porre seco
A embriaguez ontológica, para os
estudos da abstemiologia, descreve um estado de confusão existencial e
desequilíbrio comportamental vivido por pessoas que, mesmo após interromperem
o consumo de álcool ou drogas, mantêm a mentalidade, os valores e os padrões de
conduta típicos do período de uso ativo. Diferente da embriaguez “física”,
causada pela substância no organismo, a embriaguez ontológica refere-se
a uma intoxicação do "ser", na qual o indivíduo continua agindo de
forma impulsiva, desonesta e egocêntrica. Trata-se da manutenção da identidade
do adicto em um corpo que já não consome álcool ou drogas. Tal pessoa ignora
que para a verdadeira sobriedade exige-se uma mudança profunda na visão de
mundo e na ética pessoal, e não apenas a ausência mecânica da droga. Esse
fenômeno explica por que muitas pessoas, mesmo "limpas", sofrem sucessivas
recaídas emocionais ou conflitos familiares, pois não transitam do ser-dependente
para o ser-abstêmio, permanecendo presos a hábitos mentais que distorcem
a realidade.
O conceito de embriaguez ontológica
distingue-se do "porre seco", que é um episódio agudo de
intoxicação emocional sem consumo de drogas. Também se distingue da "sobriedade
seca" que consiste numa vida abstêmia sem mudança interna, mas
agravada pelo fato de a pessoa sentir que vive em constante privação do consumo
da droga de eleição. A embriaguez ontológica, por sua vez, é mais
profunda e filosófica, referindo-se a uma cegueira existencial e à vivência
inautêntica, onde o indivíduo permanece alienado de sua essência, a pessoa está
sóbria, mas vive como se estivesse bêbada já que mantem os mesmos hábitos da
época da drogadição. No texto completo desse tema, existem exemplos que
explicam essas distinções com mais detalhes.
Para concluir esse pequeno resumo, a embriaguez
ontológica revela que a mera abstinência química é insuficiente. A
recuperação autêntica exige o desmonte da identidade adicta e a construção de
um novo ser, através de uma revolução íntima de valores. Enquanto o indivíduo
não realizar essa travessia axiológica, sua existência permanecerá intoxicada,
com a essência adicta ainda no comando. A verdadeira sobriedade, portanto,
não é sobre parar de beber, mas sobre aprender a ser abstêmio.
Leia o artigo na íntegra e
entenda tudo isso com detalhes.
Bons estudos!
Escritor: Péricles Ziemmermann
