Presunção de sobriedade

Presunção de sobriedade: o famoso o chá do “já tô bom”



A presunção de sobriedade é um fenômeno perigoso e sutil, estudado pela Abstemiologia, no qual a pessoa acredita, de forma equivocada e automática, que está sóbria, estável e que não voltará a consumir drogas ou álcool. Essa presunção surge de uma autoavaliação não crítica, baseada em marcadores superficiais, como a mera passagem do tempo sem consumo ou a participação performática em rituais de recuperação, sem uma análise profunda da condição consciencial, emocional e comportamental.

 

Existem 02 (dois) elementos centrais alimentam essa presunção: a confusão entre tempo abstêmio e lastro abstêmio, bem como a execução de rituais de recuperação vazios. A pessoa presume que estar há "X anos sem usar" é sinônimo de estar curado, ignorando que o lastro abstêmio real envolve uma transformação interior profunda, como a formação de novos circuitos neuronais, a remissão ou atenuação de comorbidades, o desenvolvimento de relacionamentos saudáveis e a superação de defeitos de caráter que dificultam a manutenção da vida abstêmia. Da mesma forma, a participação mecânica em rituais – como frequentar reuniões de forma automática, repetir jargões sem reflexão ou buscar certificados de sobriedade sem mérito real – cria uma falsa sensação de progresso, onde a performance substitui a introspecção.

 

A presunção de sobriedade representa uma distorção da tríplice referência da sobriedade que pode ser vista como objetivo, característica e efeito , levando a pessoa a acreditar que a sobriedade é um estado permanente e automático, e não uma conquista dinâmica que requer cultivo diário. Isso gera estagnação, dissonância cognitiva entre o discurso e a prática, e aumenta drasticamente o risco de recaída, pois o indivíduo deixa de vigiar seus gatilhos, expõe-se à fissura e, com isso, os conflitos se avolumam.

 

Para evitar esse fenômeno, a Abstemiologia enfatiza a necessidade do autodiagnóstico permanente, da busca por feedback técnico e da prática constante da coerência entre pensamento, sentimento e ação. A verdadeira sobriedade não é um estado presumido, mas uma conquista vigiada e renovada a cada dia, fundamentada na humildade consciencial e na lucidez abstêmia.

 

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Bons estudos!

Escritor: Péricles Ziemmermann