Ilusão de introspecção no processo de recaída

Ilusão de introspecção no processo de recaída



Imagine que alguém lhe diz: “eu briguei com minha namorada e, por causa disso, acabei recaindo” ou “eu perdi meu emprego e isso fez com que eu recaísse”. Essas afirmações, extremamente reducionistas, atribuem a reintoxicação física a um mero infortúnio da vida cotidiana. Será que essa forma de pensar sobre a recaída está adequada?

 

Temos uma forte tendência a acreditar que entendemos perfeitamente as razões por trás dos nossos pensamentos e ações, mas isso é uma ilusão de introspecção. Nossa introspecção é falha; frequentemente criamos narrativas após o fato para justificar comportamentos, sem perceber as verdadeiras causas influenciadas por vieses, normas sociais ou processos neurológicos inconscientes. Vemos isso em diversas áreas, como quando alguém nega ser influenciado por um número arbitrário em uma estimativa, quando justificamos escolhas com razões inventadas ou quando mudamos nossas crenças para alinhar com ações inconsistentes.

 

No contexto da dependência química e alcoolismo, essa ilusão é especialmente perigosa. A recaída raramente é um evento súbito causado por um único fator externo, como um conflito afetivo ou perda de emprego. Na verdade, é um processo gradual que começa com pequenas negligências, como deixar de cuidar do sono, alimentação e manejo do estresse. A pessoa acredita equivocadamente que está no controle, mas a introspecção é falha e a pessoa não percebe os sinais de alerta.

 

Reconhecer que a introspecção é enganosa é, paradoxalmente, o primeiro marco para manter a estabilidade da sobriedade. O processo de recaída é insidioso e escalonado. O indivíduo pode relatar que a recaída foi uma decisão baseada em motivos conscientes, um momento de fraqueza, ou uma reação a um evento específico. A ilusão de introspecção o leva a crer que a recaída começou no momento em que ele pegou a garrafa ou realizou o manuseio da droga de eleição, quando, na verdade, os gatilhos emocionais e as racionalizações mentais haviam se acumulado por semanas ou meses. Por causa disso, intervenções eficazes precisam atuar nas fases iniciais do processo de recaída uma vez que a ilusão introspectiva dificulta a noção de que o processo já iniciou.

 

A prevenção de recaída depende de desconstruir essa ilusão de introspecção. O que pode auxiliar é a substituição da confiança na mera autoavaliação subjetiva por ferramentas objetivas: técnicas abstemiológicas, previsibilidade dos fatos geradores de fissura, diários de humor, identificação de padrões e planos de ação para gatilhos.

 

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Bons estudos!

Escritor: Péricles Ziemmermann