Antiabstinência
Antiabstinência: a lacuna na compreensão da sobriedade
A antiabstinência é definida como uma perspectiva ou mentalidade
no campo do tratamento da dependência química que prioriza o estudo e a gestão
do consumo de substâncias, em detrimento da valorização da abstinência
definitiva como objetivo principal. Essa abordagem, frequentemente associada ao
"droguismo" – um conhecimento profundo sobre as drogas, seus
efeitos neurobiológicos e as dinâmicas da adicção –, considera que o tratamento
pode ocorrer sem a necessária interrupção completa do uso.
Consequentemente, a antiabstinência tende a ver a vida abstêmia de
forma reducionista, como uma mera ausência de substâncias, e não como um
processo complexo e ativo de reconstrução de uma vida.
A crítica central apresentada pela abstemiologia é que, ao focar
exclusivamente na doença (adicção), a visão antiabstêmia se torna
limitada. Ela não consegue oferecer um caminho de abstinência (pathway of
abstinence) ou compreender as nuances de uma vida abstêmia prolongada,
que envolve a reformulação de identidade, relações e propósito. Dessa forma,
embora seja valioso para entender a crise, o conhecimento baseado na antiabstinência
mostra-se insuficiente para guiar a recuperação a longo prazo.
Como contraponto, a abstemiologia sugere o estudo da vida abstêmia em
toda sua grandeza. Aliás, temas como sobriedade mandelbrotiana, sobriedade
incorporada, sobriedade continuada, sobriedade reducionista, tríplice
referência à sobriedade, presunção de sobriedade, sobriedade ilusória,
sobriedade ocasional, sobriedade consciente, triângulo da sobriedade e sobriedade
fragmentada, nem eram discutidos antes da abstemiologia colocá-los em
pauta.
Para concluir, o ideal é uma integração de ambos os saberes: o conhecimento
sobre a adicção e o conhecimento sobre a vida abstêmia.
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Antiabstinência (CLIQUE AQUI E LEIA O ARTIGO NA ÍNTEGRA)
Bons estudos!
Escritor: Péricles Ziemmermann
