Sobriedade ilusória

Sobriedade ilusória



A sobriedade ilusória, conforme estudada pela Abstemiologia, refere-se à simulação de comportamentos abstêmios sem a verdadeira internalização terapêutica. Caracteriza-se pela manutenção de ganhos secundários (como aprovação social) e pela evitação de mudanças genuínas, configurando uma pseudorrecuperação dentro do modelo de fingimento decisório (MFD). Essa dinâmica perpetua a adicção ao criar uma falsa aparência de controle, enquanto o indivíduo rejeita as transformações cognitivas e emocionais necessárias para a sobriedade real.

 

Três fenômenos interligados sustentam a sobriedade ilusória:

 

1. Compromisso meramente estético: Manifesta-se como adesão superficial ao tratamento, com ações aparentemente corretas, mas executadas de forma incompleta ou equivocada (ex.: frequentar terapias sem participar ativamente). Isso engana famílias e cuidadores, levando à "síndrome da rotatividade terapêutica" (troca constante de profissionais), o que agrava o quadro ao impedir um acompanhamento consistente.

 

2. Abstinência dissimulada: Consiste em simular comportamentos abstêmios sem compromisso real com a sobriedade, resumida na expressão "parece abstinência, mas não é". Inclui substituição de substâncias (ex.: migração entre drogas), padrões ocultos de consumo (ex.: beber escondido) e compliance superficial (prática de rituais terapêuticos sem internalização, por exemplo, recita a oração da serenidade em grupo, mas se expõe a situações de risco em seguida). Estratégias como testes toxicológicos periódicos e análise de contextos de risco são essenciais para sua detecção.

 

3. Discurso com retórica simbólica: Ocorre quando o indivíduo repete mecanicamente frases de recuperação sem conexão emocional ou reflexão pessoal (ex.: "Estou limpo há X tempo"). Caracteriza-se por falta de nuance (ausência de detalhes íntimos), tonalidade automática e função protocolar (cumprir expectativas do grupo). Essa performatidade linguística substitui a introspecção, impedindo a autotransformação.

 

Concluo o estudo informando que esses fenômenos formam uma tríade de evitação motivacional, alimentada por falta de insight sobre a doença, busca de ganhos secundários e dissonância cognitiva entre a autoimagem de "recuperado" e comportamentos de risco. Assim, a sobriedade ilusória mascara a recusa à mudança interna, elastecendo a fase de adicção. Exige-se, para a superação da sobriedade ilusória, intervenções focadas em vínculos terapêuticos consistentes, aceitação radical e reestruturação de valores.

 

Recomendo a leitura do texto na íntegra:


SOBRIEDADE ILUSÓRIA (CLIQUE AQUI E LEIA O ARTGO NA ÍNTEGRA)

 

Bons estudos!

Escritor: Péricles Ziemmermann