Se meu familiar recaiu, ele precisa ser internado?

Se meu familiar recaiu, ele precisa ser internado?



É preciso discutir sobre a necessidade ou não de internação após uma recaída, analisando tanto a perspectiva da pessoa que recaiu quanto a dos familiares e terapeutas. A dúvida sobre nova internação (reinternação) é comum e o objetivo aqui é incentivar uma reflexão sobre o tema.

 

O internamento possui como duplo efeito direto a desintoxicação e a cessação da periculosidade. Nesse diapasão, a reinternação também possui os mesmos efeitos diretos.

 

Podemos fazer uma análise bem singela: se a recaída for prolongada durando várias semanas ou meses, a reinternação pode ser necessária; mas em casos curtos em que a recaída durou poucas horas ou dias, pode não haver reinternação. Essa análise é superficial demais porque só leva em consideração o critério cronológico da recaída. Assim, caso haja complicações graves como prisão, prática de crimes, overdose ou agravamento de comorbidades também se recomenda a reinternação, independente do tempo de duração da recaída. Agora, a análise leva em consideração critérios subjetivos. Também é importante investigar as causas da recaída, como autossabotagem, autopiedade ou autossuficiência (triângulo do fracasso abstêmio), pois isso pode influenciar na decisão sobre reinternação.

 

Ademais, a reinternação após o processo de recaída também pode ser recomendada em casos como riscos de violência doméstica, perda expressiva de bens familiares ou quebra de combinados preestabelecidos. É o caso, por exemplo, da pessoa vendeu objetos inestimáveis da residência dos familiares para financiar a compra de drogas ou álcool, bem como nos casos de recusa em fazer exames toxicológicos periódicos.

 

Reforço que a decisão sobre internação deve considerar tanto os efeitos da recaída (moderados, graves ou gravíssimos) quanto suas causas, além dos impactos nos relacionamentos e na segurança da família. A proposta é que todos envolvidos reflitam juntos sobre a melhor forma de lidar com a situação. Tudo fica mais fácil se a pessoa que recaiu pedir o internamento ou qualquer outra forma de auxílio.

 

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Se meu familiar recaiu, ele precisa ser internado? (clique aqui e leia o artigo na íntegra)


Bons estudos!

Escritor: Péricles Ziemmermann