Princípio da vedação de neutralidade

Princípio da vedação de neutralidade



O abstêmio não deve assumir uma postura passiva ou neutra em relação a sua sobriedade. Pelo contrário, deve ser intrinsecamente ativo e comprometido. Após consolidar os fundamentos iniciais da recuperação – o que geralmente leva cerca de 02 ou 03 anos de vida abstêmia (ponto “R+02 ou R+03” na escada abstêmia) –, espera-se que a pessoa assuma uma posição clara e decisiva perante a vida, recusando-se a ficar "em cima do muro". O princípio da vedação de neutralidade é dirigido especialmente aos abstemaiores já que representam pessoas com sobriedade mais consolidada.

 

A essência da vida abstêmia é uma tomada radical de posição: trata-se de recuperar a soberania sobre própria existência (quádrupla capacidade) e o direito de conduzir seu próprio destino (autogerência). Isso significa "tomar as rédeas" da vida de forma consciente, fazendo escolhas alinhadas com os valores da recuperação e com o que sustenta a abstinência vitalícia.

 

Reconheço que, no início da jornada abstêmia, os exemplos e orientações de colegas mais experientes são bússolas indispensáveis, ajudando a corrigir rumos. Porém, com o tempo e o amadurecimento emocional e espiritual, a pessoa desenvolve sua própria autonomia decisória. Isso indica que, após certo tempo de sobriedade, a pessoa irá seguir seu caminho de maneira singular, tomando decisões baseadas na própria consciência e experiência, ciente de que cada escolha repercute profundamente na caminhada abstêmia. Por isso, reafirmando a ideia anterior, essa postura ativa e não neutra exige pelo menos 02 ou 03 anos de abstinência consolidada (fase de abstemaior).

 

Vejo um contraponto claro na "despersonificação do adicto", exemplificada pelo "Fator Cobain" (Petry, 2016). Esse conceito mostra a erosão da identidade, autonomia e vontade própria durante a adicção: o indivíduo perde o controle, torna-se passivo, dirigido por impulsos e substâncias, uma "não-pessoa". O Fator Cobain simboliza tragicamente essa entrega do controle a forças externas – o oposto absoluto da postura que devemos adotar a fim de manter a sobriedade. A recuperação é, em grande parte, a reconstrução da pessoa e a reconquista da capacidade de agir conforme a própria vontade esclarecida.

 

Além disso, o abstêmio consolidado sabe que deve monitorar continuamente os gatilhos de recaída, identificar situações de risco e desenvolver estratégias proativas. Ferramentas como o Perfil Pessoal Abstemiológico (PPA) e o Plano de Prevenção de Recaídas (PPR) – revisados periodicamente e contendo sinais de alerta, recursos de suporte e técnicas abstemiológicas – representam mecanismos importantes na manutenção da sobriedade.

 

Recomendo a leitura do texto na íntegra:


Princípio da vedação de neutralidade (CLIQUE AQUI E LEIA O ARTIGO NA ÍNTEGRA)


Bons estudos!

Escritor: Péricles Ziemmermann