Paradoxo da codependência: uma ironia comportamental
Paradoxo da
codependência: uma ironia comportamental
Neste artigo apresento a análise sobre
o paradoxo da codependência à luz da lei do efeito (princípio da
psicologia comportamental que afirma, em síntese: comportamentos
recompensados tendem a se repetir).
O texto explica por que padrões
codependentes persistem apesar do sofrimento crônico que causam, revelando uma ironia
comportamental: o que parece "prazer" na codependência é, na
verdade, um pseudoprazer – alívio temporário de ameaças psíquicas (como
medo de abandono ou culpa), não uma recompensa genuína.
Através da análise do caso real
de V. (filha de um alcoolista), você entenderá como esse mecanismo perverso
opera:
· Seus resgates noturnos ao pai
geravam alívio imediato da ansiedade (reforço negativo) e validação
simbólica ("sou a filha leal"), mascarando custos como dores
gástricas e exaustão.
· Quando tentou estabelecer
limites, experimentou síndrome de abstinência comportamental (taquicardia,
culpa), prova de que o cérebro codependente vê autoproteção como ameaça.
A virada ocorreu com a reinterpretação
da lei do efeito de forma estratégica:
1. Substituiu reforços tóxicos por gratificações
autotélicas (autocuidado, atividade física);
2. Criou contrastes sensoriais
(ex.: trocando o vazio pós-resgate pelo "calor no peito" ao ouvir
"Cuide-se" do pai sóbrio);
3. Reorientou
seu sistema de recompensas: dormir profundamente ou
completar um treino tornaram-se fontes de prazer autêntico, fortalecendo
novas rotas neurais.
O texto desvenda ainda 03 (três) níveis
do paradoxo que mantêm a codependência:
1. A dor como
recompensa (sofrer é visto como "prova
de amor");
2. Assimetria
temporal (alívio imediato supera
benefícios tardios da autonomia);
3. Economia
viciante (raras "tréguas" no
caos agem como reforço intermitente).
Por fim, você descobrirá como a superação
da codependência não nega a lei do efeito, mas a redireciona:
· Autocuidado torna-se recompensa
operante final quando gera consequências fisiológicas positivas (ex.:
acordar sem náuseas);
· Limites assertivos (como V.
enviar um motorista ao pai, não ela mesma) viram atos de soberania
identitária, provando que é possível converter feridas do apego em
alicerces de uma vida autoral.
A codependência pode ser um hábito
aprendido que distorce a lei do efeito. Sua superação exige reprogramar o
sistema de recompensas – substituindo a ilusão do controle pelo tremor
vital de quem ousa existir sem culpa.
Acesse o material e estude o tema.
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Bons estudos!
Escritor: Péricles Ziemmermann
