Apologia abstêmia
Apologia abstêmia
Pergunto: será que uma palestra
contra o uso de drogas e álcool tem o mesmo impacto que uma palestra que
promove a vida abstêmia? Afinal de contas, "ser contra algo" não
significa automaticamente "ser a favor de uma alternativa melhor".
Lembro-me da célebre frase atribuída a Madre
Teresa de Calcutá: “Nunca irei a uma manifestação contra a guerra. Se
fizerem pela paz, chamem-me.” Isso me faz pensar que lutar contra um
problema (ódio, medo, vício) não é a mesma coisa que promover sua solução
(amor, coragem, sobriedade).
Por isso, defendo que ações contra o
uso de drogas (profilaxia da adicção) têm um efeito diferente daquelas
que incentivam a abstinência (proselitismo abstêmio). Não basta apenas
combater o vício; é preciso oferecer um caminho positivo.
Vejo que, na nossa sociedade, o proselitismo
adicto (propaganda de bebidas, músicas que glamourizam o álcool, filmes que
normalizam o uso de drogas) é muito mais forte do que o proselitismo
abstêmio. Enquanto campanhas contra as drogas existem em demasia, faltam
políticas públicas que realmente incentivem a sobriedade, como isenções fiscais
para profissionais que realizam a inclusão de dependentes, bonificações salarias
para quem mantém a sobriedade ou redução nos valores de seguros (saúde ou de
veículos) para quem fizer testes toxicológicos periódicos.
A profilaxia da adicção (como
leis antitabaco, slogans de "beba com moderação" ou clínicas
de reabilitação) é também importante, mas gera efeitos muito limitados. Por
exemplo, dizer "se beber, não dirija" é útil. Entretanto, se afirmássemos
“os alunos da faculdade que fizerem testes toxicológicos periódicos e obtiverem
resultados negativos receberão uma bolsa sobriedade com 10% de desconto
na mensalidade”, talvez isso seja mais estimulante e gere mais resultados.
Concluindo, combater o proselitismo
adicto através da profilaxia da adicção é muito diferente de
difundir ideias abstêmias utilizando o proselitismo abstêmio. Para
exemplificar isso vamos usar o caso clássico que aparece em programas
televisivos de pessoas que eram adictas e se tornaram atletas de alto
rendimento. Nesses casos, explicar para a criança que o atleta que venceu a
competição já tinha sido usuário de drogas (profilaxia da adicção) é
muito diferente de explicar, para essa mesma criança, que o atleta que venceu a
competição só conseguiu esse feito porque estava abstêmio há muitos anos (proselitismo
abstêmio). O atleta não venceu a competição porque foi usuário de drogas no
passado, ele venceu porque treinou, se preparou e está em sobriedade há muitos
anos. Diferenciar isso é muito importante e relevante.
Enquanto a profilaxia tenta
frear o problema, o proselitismo abstêmio constrói a solução. E, para
mim, essa é a abordagem mais poderosa.
Leia o texto na íntegra:
Apologia abstêmia (clique aqui e leia o artigo na íntegra)
Bons estudos!
Escritor: Péricles Ziemmermann
