A neurociência do desejo: como o cérebro aprende a ser viciado em álcool
A neurociência do desejo: como o cérebro aprende a ser viciado em álcool
A neurociência do desejo revela
como o cérebro se torna viciado em álcool, um processo que vai além de um
simples hábito. A dependência alcoólica é uma reprogramação cerebral
profunda na qual o sistema de recompensa, impulsionado pela dopamina,
associa o consumo a prazeres artificiais e memórias emocionais. Com o tempo, o
cérebro passa a priorizar o álcool, transformando-o em uma necessidade
fisiológica e psicológica. Não se pode olvidar que gatilhos como
cheiros, ambientes ou situações específicas podem desencadear fissura,
um desejo intenso e quase incontrolável de consumir. A genética também
influencia o consumo, com cerca de 50% do risco de desenvolver alcoolismo
ligado a variações no DNA, tornando algumas pessoas mais suscetíveis.
O vício altera circuitos
neurais essenciais como o córtex pré-frontal, responsável pelo
autocontrole, e o sistema límbico que associa o álcool a emoções
intensas. Isso cria um ciclo vicioso: quanto mais se bebe, mais o cérebro exige
álcool para funcionar normalmente, enquanto a capacidade de resistir diminui. Estudos
de neuroimagem mostram que, em dependentes, o cérebro reage ao álcool como
à comida para alguém faminto, indicando uma distorção nos mecanismos de
sobrevivência.
Felizmente, avanços na
neurociência oferecem novas abordagens terapêuticas como a estimulação
magnética transcraniana e medicamentos como a naltrexona que bloqueiam os
efeitos prazerosos do álcool.
O alcoolismo é, em essência,
uma doença de aprendizado e memória, na qual o cérebro é condicionado a
acreditar que precisa do álcool. Compreender esse mecanismo permite tratamentos
mais eficazes e humanizados baseados em evidências científicas e não
apenas em força de vontade. A chave para a recuperação está em reverter essas
alterações cerebrais, restaurando o equilíbrio natural do sistema de recompensa
e fortalecendo o autocontrole.
Leia a publicação na
íntegra e entenda tudo isso.
Bons estudos!
Escritor: Péricles Ziemmermann
